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Perguntas frequentes

Os Coronavírus

O que são os coronavírus?


Os coronavírus representam uma grande família viral causadora de doenças em seres humanos, o que é sabido desde a década de 1960. São vírus RNA envelopados, divididos em quatro gêneros: alfa, beta, delta e gama. Os gêneros alfa e beta são causadores de doenças em seres humanos. Importante ressaltar que as infecções por coronavírus são zoonóticas, ou seja, transmitidas entre animais e de animais para os seres humanos. Neste processo, o vírus sofre adaptações e mutações que o tornam capaz de circular entre seres humanos.




Por que recebem o nome de coronavírus?


O nome “coronavírus” se deve ao fato de a partícula viral se assemelhar a uma coroa que, em latim, chama-se corona.




Quais são os reservatórios dos coronavírus?


Os principais reservatórios de coronavírus são animais como morcegos, camelos, gatos e gado.




Quais as doenças causadas pelos coronavírus?


Os coronavírus são capazes de causar infecções respiratórias e gastrointestinais nos seres humanos. Considerando as infecções respiratórias, podem causar desde quadros leves, como o resfriado comum, até quadros graves como pneumonias e síndrome respiratória aguda grave.




O que é SARS-CoV-2?


SARS-CoV-2 é o nome dado ao coronavírus causador da pandemia atual, em substituição ao nome inicial que era 2019-nCoV. Usa-se o número “2” para diferenciá-lo do coronavírus causador da SARS de 2002/2003, denominado de SARS-CoV.




O que é COVID-19?


COVID-19 (Corona Virus Disease, 2019) é o nome dado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) à doença pandêmica atual causada pelo SARS-CoV-2.




Qual a origem da pandemia de COVID-19?


O primeiro caso de COVID-19 foi identificado em Wuhan, Província de Hubei, na China.




Quando foi diagnosticado o primeiro caso de COVID-19?


A descoberta do SARS-CoV-2, causador da COVID-19, ocorreu a partir da investigação de um surto de pneumonia na cidade de Wuhan, na China. Na ocasião, observou-se um número concentrado de casos entre familiares e entre trabalhadores da saúde que foram acometidos a partir dos casos iniciais da infecção. A identificação do primeiro caso de pneumonia com apresentação atípica e grave ocorreu em 08/12/2019, mas a primeira notificação ao órgão chinês de controle de doenças ocorreu em 27/12/2019. A OMS foi notificada pelo governo chinês em 31/12/2019 e declarou situação de pandemia em 11/03/2020, diante da escalada da doença em outros países.




Quais as epidemias recentes de maior importância causadas pelos coronavírus?


Afora a pandemia atual de COVID-19, houve a SARS (Severe Acute Respiratory Syndrome) em 2002/2003, também iniciada na China e causada por um beta coronavírus denominado de SARS-CoV. A transmissão para humanos ocorreu provavelmente a partir de civetas, que são pequenos mamíferos que vivem em florestas tropicais do sudeste asiático. Foram relatados cerca de 8.100 casos de SARS, com 24 países acometidos e 774 mortes (fatalidade de cerca de 10%). Além da SARS, houve em 2012 um surto de MERS (Middle East Respiratory Syndrome) que acometeu principalmente a Arábia Saudita. O causador da MERS também é um beta coronavírus denominado de MERS-CoV. No caso da MERS, a transmissão para humanos ocorreu provavelmente a partir de camelos. O surto de MERS é ainda considerado ativo, porém com transmissão bastante lentificada. Até novembro de 2019, haviam sido identificados 2.494 casos, com 858 mortes (fatalidade de cerca de 37%).




O SARS-CoV-2 já apresenta mutações genéticas?


À medida que o vírus se dissemina, ocorrem mutações devido à adaptação progressiva ao seu hospedeiro. Este é um processo natural e esperado. Entretanto, isto não significa que nesta pandemia teremos uma nova espécie viral ou que o desenvolvimento de vacina para o SARS-CoV-2 seja inviabilizado.




O que é pandemia?


Pandemia é o termo usado para descrever uma situação em que uma doença infecciosa ameaça muitas pessoas ao redor do mundo simultaneamente. Declarar uma pandemia significa dizer que os esforços para conter a expansão mundial do vírus falharam e que a disseminação está fora de controle. Uma das pandemias mais graves já enfrentadas foi a de gripe espanhola, que ocorreu entre 1918 e 1920. Estima-se que 50 milhões de pessoas tenham morrido nessa pandemia da gripe espanhola, ou seja, um número muito superior ao de vítimas civis e militares da 1ª Guerra Mundial. Novos vírus são mais prováveis de causarem pandemias. Como não temos defesas naturais contra eles ou medicamentos e vacinas para nos proteger, tais partículas conseguem infectar muitas pessoas e se espalhar facilmente, de forma sustentada.





Transmissão

Como o SARS-CoV-2 é transmitido entre seres humanos?


A transmissão do SARS-CoV-2 entre seres humanos acontece a partir de gotículas respiratórias, assim como ocorre com diversos outros vírus. Normalmente as gotículas atingem no máximo um metro de distância nos contatos habituais como, por exemplo, durante uma conversa. Porém, no caso de espirros ou tosse, podem atingir distâncias consideravelmente maiores, de alguns metros. É importante salientar que a transmissão a partir das mãos que tocam superfícies contaminadas pelas gotículas respiratórias do indivíduo doente parece ser a principal fonte de disseminação da infecção entre seres humanos.




Durante que período o indivíduo contaminado é capaz de transmitir o SARS-CoV-2?


Os mecanismos de transmissão do SAR-CoV-2 ainda estão sob investigação, mas as evidências atuais indicam que eles ocorram predominantemente durante o período de sintomas. Existem alguns dados preliminares que indicam que a transmissão pode ocorrer durante o período de incubação, ou seja, enquanto o indivíduo contaminado ainda está assintomático.




Qual é o período de incubação da COVID-19?


O período de incubação desta doença, ou seja, o período em que o indivíduo contaminado ainda se apresenta assintomático, é de 2 a 14 dias, com média de 5 dias.




Para quantos indivíduos, em média, uma pessoa contaminada transmite o SARS-CoV-2?


Sem as medidas de distanciamento social recomendadas, uma pessoa contaminada transmitirá o vírus para cerca de 2,5 pessoas, no período de cinco dias. Se reduzirmos a exposição social em 50%, uma pessoa contaminada transmitirá o vírus para cerca de 1,25 pessoas, no período de cinco dias. Se reduzirmos a exposição social em 75%, uma pessoa contaminada transmitirá o vírus para cerca de 0,65 pessoas, no período de cinco dias. Isso quer dizer que uma única pessoa contaminada, sem isolamento social, levará a cerca de 406 novos casos de COVID-19 ao final de 30 dias, mas se reduzirmos a exposição em 50%, este número será de 15 novos casos ao final de 30 dias. Já se reduzirmos a exposição em 75%, este número será de 2,5 casos ao final de 30 dias. A partir destes dados, fica bastante clara a importância do distanciamento social no controle da pandemia!





Manifestações Clínicas

Quais são as manifestações clínicas da COVID-19?


As manifestações clínicas mais frequentes da COVID-19 são febre, tosse seca ou pouco produtiva e dispneia. Alguns pacientes também podem apresentar congestão nasal, coriza, dor de garganta e mialgia. Existem relatos de pacientes que apresentaram sintomas gastrointestinais como náusea, vômito e diarreia, mas as manifestações são, predominantemente, respiratórias. Os casos mais graves podem evoluir com dispneia grave, insuficiência respiratória e injúria renal aguda.




Como diferenciar a COVID-19 da gripe ou do resfriado comum?


Pelos sinais e sintomas não é possível diferenciar, com segurança, a gripe ou o resfriado comum da COVID-19. A gripe e a COVID-19 podem apresentar características clínicas bastante semelhantes entre si como febre, tosse, coriza, falta de ar e até mesmo insuficiência respiratória. Portanto, o que diferencia as duas doenças é o tipo de vírus que as causou. Essa diferenciação pode ser feita através de critérios epidemiológicos e/ou através de exames laboratoriais específicos para a detecção do material genético do vírus em amostras respiratórias coletadas dos pacientes infectados.




A COVID-19 é grave?


Na primeira grande série de casos publicada sobre a COVID-19, com pacientes tratados na China, a doença foi leve em 81% dos casos, grave em 14% deles e gravíssima em 5%. De maneira geral, cerca de 15% dos pacientes com a doença irão precisar de internação hospitalar e 5 a 7% irão necessitar de tratamento no CTI.




Qual a taxa de mortalidade associada à COVID-19?


Esta é uma questão que, infelizmente, ainda não está bem esclarecida. Isto porque percebemos que a taxa de mortalidade associada à COVID-19 em diferentes países e até mesmo em diferentes regiões do mesmo país tem variado bastante. Na China, a taxa de mortalidade geral associada à doença foi de 2,3%. Em outros países que estão ou estiveram em situações de emergência devido à pandemia, esta taxa tem variado para menos ou para mais. É o caso, por exemplo, da Coréia do Sul que registrou uma taxa de letalidade de 0,7% e da Itália que, pelo contrário, registrou taxas mais elevadas, em torno de 10%. No Brasil, em junho de 2020, a taxa de mortalidade associada à COVID-19 está em torno de 4,5%. Algumas razões que poderiam explicar esta grande variação nas taxas de mortalidade são as diferentes estratégias adotadas por nações e regiões distintas no combate à disseminação do vírus, os sistemas de saúde locais e o número de testes diagnósticos que foram ou ainda estão sendo realizados em cada uma das localidades.




Se a taxa de mortalidade associada à COVID-19 não é tão elevada, qual o motivo da enorme preocupação e mobilização mundial para conter a disseminação do vírus?


Temos visto que a taxa de mortalidade da doença tem variado de país para país e isso pode ter relação com as estratégias que cada nação tem utilizado para combater a disseminação do vírus, com os sistemas de saúde locais e com a proporção de testes diagnósticos realizados. Trata-se de um vírus contagioso que pode contaminar a maior parte da população de um país se as orientações locais não forem adequadamente acatadas. Como dentre as pessoas contaminadas, cerca de 15% necessitarão de internação hospitalar, a infecção maciça da população poderá gerar um colapso dos sistema de saúde locais, que poderão não dispor do número suficiente de leitos para a internação destes pacientes. Esta situação, que é bastante temida, poderá aumentar, em muito, a taxa de mortalidade associada à doença.





Grupos de Risco

Quais são os grupos que apresentam maior chance de apresentarem quadros graves e maior taxa de mortalidade associada à COVID-19?


Os principais fatores de risco para uma evolução clínica desfavorável na COVID-19 são idade avançada e presença de comorbidades. Na maior série de casos publicada na China, com mais de 40.000 casos confirmados, a letalidade foi de 8% entre os pacientes com 70 a 79 anos e de 14% entre os pacientes com mais de 80 anos. Nesta mesma série, a mortalidade foi de 0% entre os pacientes com menos de 9 anos de idade. A presença de comorbidades como doenças cardiovasculares, diabetes, doenças respiratórias crônicas e câncer se associou ao maior risco de morte pela doença.




As grávidas representam grupo de risco na COVID-19?


Ainda não existem evidências científicas suficientes que nos esclareça sobre o comportamento do SARS-CoV-2 na população de gestantes e nos fetos. Entretanto, tem sido orientado que o isolamento das gestantes seja mais rigoroso e que, caso apresentem quadro respiratório suspeito, sejam abordadas como população de risco.









Definição de casos

O que é considerado um caso suspeito de COVID-19?


Atualmente, no Brasil, existem três situações em que devemos considerar um caso como suspeito: Viajante: é a pessoa que retornou de viagem internacional a qualquer país nos últimos 14 dias E apresente febre (mesmo que apenas referida) associada a pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, saturação de O2 em ar ambiente inferior a 95%, sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal); Contato próximo: pessoa que, nos últimos 14 dias, teve contato próximo a um caso suspeito ou confirmado de COVID-19 E que apresente febre (mesmo que apenas referida) OU pelo menos a presença de um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, saturação de O2 em ar ambiente inferior a 95%, sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal); Visitantes ou residentes em regiões com transmissão local confirmada: pessoa com febre associada a pelo menos um sinal ou sintoma respiratório E que nos últimos 14 dias esteve em regiões do Brasil com transmissão comunitária confirmada. Segundo o Ministério da Saúde, até a presente data, foi identificada transmissão comunitária nos estados de São Paulo e Pernambuco, no sul de Santa Catarina (região da cidade de Tubarão) e em três capitais (Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre). É importante ressaltar os seguintes pontos: - A febre pode não estar presente em alguns pacientes, como jovens, idosos, imunossuprimidos ou em pessoas que usaram antitérmicos; Quando a temperatura axilar for mensurada, considera-se febre uma temperatura superior a 37,8°C; - São considerados contatos próximos de casos suspeitos ou confirmados de COVID-19 pessoas que tiveram contato físico direto com o doente (ex: aperto de mãos); pessoas que tiveram contato direto e desprotegido com superfícies contaminadas por gotículas respiratórias do doente; pessoas que tenham tido contato frente a frente com o doente, por 15 minutos ou mais, a uma distância inferior a 2 metros; profissionais de saúde ou qualquer outra pessoa que cuide diretamente de um indivíduo com COVID-19; trabalhadores de laboratório que manipulem amostras de pacientes com COVID-19 sem equipamento de proteção individual (EPI) recomendado, ou com uma possível violação do EPI; passageiros de aeronave sentados no raio de dois assentos de distância (em qualquer direção) de um caso confirmado de COVID-19; acompanhantes, cuidadores e tripulantes que trabalharam na seção da aeronave em que o caso de COVID-19 estava assentado; - São considerados contatos domiciliares de casos suspeitos ou confirmados de COVID-19 as pessoas que residam no mesmo domicílio do doente. Devem ser considerados residentes do mesmo domicílio os colegas de dormitórios, creches, alojamentos etc.




O que é considerado um caso provável de COVID-19?


Atualmente, no Brasil, é considerado um caso provável de COVID-19 uma pessoa que, nos últimos 14 dias, resida ou trabalhe com caso suspeito ou confirmado para COVID-19 E apresente febre (mesmo que apenas referida) OU pelo menos a presença de um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, saturação de O2 em ar ambiente inferior a 95%, sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal) OU apresente outros sinais e sintomas inespecíficos (fadiga, mialgia/artralgia, dor de cabeça, calafrios, gânglios linfáticos aumentados, diarreia, náusea, vômito, desidratação, inapetência).




O que é considerado um caso confirmado de COVID-19?


Atualmente, no Brasil, a confirmação de casos de COVID-19 está sendo feita de duas maneiras: Diagnóstico laboratorial: quando o caso suspeito ou provável apresenta resultado positivo no teste molecular ou sorológico para SARS-CoV-2. As amostras a serem coletadas para a realização do teste molecular incluem aspirados de nasofaringe, swabs combinados (nasal e oral) e aspirados de secreção de trato respiratório inferior. São necessárias no mínimo duas amostras, independentemente do material escolhido. Os materiais utilizados para a realização dos testes sorológicos são o sangue, plasma ou soro; Diagnóstico clínico-epidemiológico: quando o caso suspeito ou provável apresente histórico de contato próximo ou domiciliar com caso confirmado laboratorialmente para COVID-19 E apresente febre (mesmo que apenas referida) OU pelo menos um dos sinais ou sintomas respiratórios, nos últimos 14 dias após o contato, e para o qual não foi possível realizar a investigação laboratorial específica.




O que é considerado um caso descartado de COVID-19?


Atualmente, no Brasil, um caso é considerado descartado para COVID-19 quando foi considerado inicialmente suspeito, mas apresentou resultado laboratorial negativo para SARS-CoV-2 ou positivo para algum outro agente etiológico de infecções respiratórias.




O que é considerado um caso excluído de COVID-19?


Diante do aumento de registros na base de dados do FormSUS2, são classificados atualmente no Brasil como casos excluídos aqueles que apresentarem duplicidade de registros OU que não se enquadrem em uma das definições de caso acima descritas.




O que é considerado um caso curado de COVID-19?


Diante das últimas evidências compartilhadas pela OMS e países afetados, são considerados atualmente no Brasil como casos curados de COVID-19: Casos em isolamento domiciliar: casos confirmados que passaram por 14 dias em isolamento domiciliar, a contar da data de início dos sintomas E que estejam assintomáticos; Casos em internação hospitalar: casos confirmados e que são considerados curados após avaliação médica realizada pela equipe-assistente.





Diagnóstico

Como é realizado o diagnóstico de COVID-19?


Atualmente, no Brasil, a confirmação de casos de COVID-19 está sendo feita de duas maneiras: Diagnóstico laboratorial: quando o caso suspeito ou provável apresenta resultado positivo no teste molecular ou sorológico para SARS-CoV-2. As amostras a serem coletadas para a realização do teste molecular incluem aspirados de nasofaringe, swabs combinados (nasal e oral) e aspirados de secreção de trato respiratório inferior. São necessárias no mínimo duas amostras, independentemente do material escolhido. Os materiais utilizados para a realização dos testes sorológicos são o sangue, plasma ou soro; Diagnóstico clínico-epidemiológico: quando o caso suspeito ou provável apresente histórico de contato próximo ou domiciliar com caso confirmado laboratorialmente para COVID-19 E apresente febre (mesmo que apenas referida) OU pelo menos um dos sinais ou sintomas respiratórios, nos últimos 14 dias após o contato, e para o qual não foi possível realizar a investigação laboratorial específica. É importante reforçar que os testes estão sendo produzidos em regime de prioridade pelo Instituto Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com produção semanal. A distribuição se dá na mesma proporção, ou seja, também são enviados aos estados semanalmente. A produção atual é de 3,5 mil a 4 mil testes a cada três dias e segue as boas práticas de produção de insumos para diagnóstico. A produção está sendo escalonada para aumento da capacidade de fabricação.




Quais os laboratorios públicos de referência para a realização dos testes confirmatórios para a COVID-19?


Os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN) dos 26 estados e do Distrito Federal estão aptos, desde 18/03/2020, a realizarem exames diagnósticos para a COVID-19 como parte do esforço da Saúde no enfrentamento à doença. A medida é importante porque descentraliza o diagnóstico da doença para todo o país. Em Minas Gerais, o laboratório de referência é o da Fundação Ezequiel Dias (FUNED), que recebe amostras todos os dias de 8:00 as 16:00h.




Quais casos devem ser notificados?


Todos os casos, suspeitos ou confirmados, devem ser registrados pelos serviços de saúde públicos e privados, por meio do formulário eletrônico disponível no endereço http://bit.ly/notificaCOVID19, dentro das primeiras 24 horas de atendimento do paciente.




Quais os testes laboratoriais para COVID-19 disponíveis no Brasil?


Existem dois tipos de testes laboratoriais para COVID-19 disponíveis no Brasil: os testes moleculares, conhecidos por RT-PCR (Real Time- Polymerase Reaction Chain), e os testes sorológicos que podem ser realizados a partir de diferentes técnicas como ELISA, imunoflorescência, quimioluminescência e imunocromatografia. Há mais de 60 testes para COVID-19 já registrados pela Anvisa no Brasil, sendo a maior parte deles de testes sorológicos.




Qual o teste laboratorial considerado como padrão-ouro para o diagnóstico de COVID-19?


O teste considerado padrão-ouro para o diagnóstico de COVID-19 é, segundo a OMS, o teste molecular, conhecido como RT-PCR (Real Time- Polymerase Reaction Chain). Este teste é capaz de detectar o material genético do vírus (RNA viral) em amostras coletadas das vias aéreas superiores e/ou inferiores de pacientes com quadros suspeitos.




Quais amostras biológicas são utilizadas para realização dos testes de COVID-19?


Para a realização dos testes moleculares (RT-PCR), utiliza-se amostras coletadas das vias respiratórias superiores (swabs de orofaringe e/ou nasofaringe) e/ou inferiores (escarro, aspirado traqueal, lavado bronco-alveolar) de pacientes com quadro clínico suspeito. Os testes realizados com amostras coletadas de trato respiratório inferior apresentam maior taxa de positividade entre os indivíduos doentes, quando comparadas com amostras coletadas do trato respiratório superior. Para a realização dos testes sorológicos, independentemente da técnica utilizada, utiliza-se o sangue, plasma ou soro.




O que são testes rápidos para COVID-19?


Os testes rápidos são os testes sorológicos realizados por meio da técnica de imunocromatografia e que conseguem detectar a presença de anticorpos IgG e IgM contra o SARS-CoV-2 no sangue do paciente. Existem testes rápidos que não fazem a distinção entre IgG e IgM e testes que fazem a leitura destes dois tipos de anticorpos de maneira independente. Ambos os testes, desde que validados pelos órgãos nacionais de controle, podem ser utilizados neste contexto. O resultados de tais testes podem ser liberados em um prazo de 15 a 30 minutos e, embora não necessitem de nenhum equipamento especial para sua realização, devem ser sempre executados e interpretados por um profissional habilitado, sendo contra-indicada a sua realização pelo próprio paciente, sem a supervisão de um técnico responsável. Os testes em domicílio podem ser realizados, desde que executados por profissional legalmente habilitado, vinculado a um laboratório clínico, posto de coleta ou serviço de saúde pública ambulatorial ou hospitalar.




Após quanto tempo do início dos sintomas os testes sorológicos podem ser realizados?


Os testes sorológicos detectam a presença de anticorpos (IgG e IgM) que o organismo produz quando entra em contato com um invasor. Contudo, o desenvolvimento da resposta imune com produção de anticorpos contra um agente específico pode ser dependente do hospedeiro e levar tempo. No caso de SARS-CoV-2, estudos sugerem que a maioria dos pacientes se converte entre 7 e 11 dias após a exposição ao vírus, embora alguns pacientes possam desenvolver anticorpos mais cedo. Sendo assim, recomenda-se que os testes sorológicos, independentemente da técnica de realização, só devam ser solicitados a partir do oitavo dia de aparecimento dos sintomas. Antes deste período, a taxa de resultados falso-negativos é bastante elevada.




Os testes rápidos podem ser utilizados para confirmar ou descartar o diagnóstico de COVID-19?


Não. Os testes rápidos (IgG/IgM) NÃO tem função de confirmar ou descartar infecção aguda pelo SARS-CoV-2. O diagnóstico laboratorial confirmatório do quadro de infecção aguda é feito pelos testes moleculares (RT-PCR). Além disso, como a sensibilidade dos testes rápidos é relativamente baixa, um resultado negativo não é capaz de excluir um quadro atual ou prévio de infecção pelo SARS-CoV-2 e não deve ser utilizado para subsidiar a decisão de liberação do isolamento do paciente com síndrome gripal. Por outro lado, um teste positivo também não garante que a fase de infecção aguda já tenha passado e que o paciente esteja imune contra a doença. Por isso, o resultado positivo também não deve subsidiar decisões de afrouxamento das medidas restritivas de contato social.




Qual a aplicabilidade dos testes rápidos?


Os testes rápidos (IgG/IgM) NÃO tem função de confirmar ou descartar infecção aguda pelo SARS-CoV-2. Os testes rápidos tem relevante utilização no mapeamento do status imunológico de uma população. Como a disponibilidade dos testes confirmatórios de doença aguda (RT-PCR) é menor, tem se utilizado mais amplamente os testes rápidos na prática clínica. Entretanto, deve-se utilizar o resultado de tais testes com cautela, lembrando-se que tanto resultados positivos ou negativos não devem influenciar a decisão do profissional de saúde sobre a necessidade ou não de manter isolamento social do paciente com síndrome gripal. Além disso, devemos ressaltar que a recomendação atual é de que os testes rápidos sejam realizados apenas na população sintomática, com síndrome gripal. Além disso, devemos ressaltar que a recomendação atual é de que os testes sejam realizados apenas em indivíduos sintomáticos.




Qual a acurácia dos testes moleculares (RT-PCR) para COVID-19?


O teste de polymerase chain reaction em tempo real (RT-PCR) para identificação de SARS-CoV-2 é um teste de elevada sensibilidade e especificidade, ainda que os doentes com maior carga viral tenham maior probabilidade de apresentarem um teste positivo, quando comparados aos pacientes com baixa carga viral. Quando realizados em fase muito precoce ou tardia da doença, podem apresentar resultados falso-negativos. Assim sendo, um resultado negativo do teste molecular em um paciente com síndrome gripal não é suficiente para descartar o diagnóstico de infecção e o profissional de saúde deverá considerar repeti-lo posteriormente naquele paciente em que o diagnóstico de COVID-19 continua sendo aventado. Os testes moleculares baseados em RNA exigem instalações laboratoriais específicas, com níveis restritos de biossegurança e técnica.




Qual a acurácia dos testes sorológicos aprovados no Brasil para COVID-19?


A sensibilidade e especificidade dos testes sorológicos variam entre os diferentes fabricantes dos testes sorológicos aprovados no Brasil. Em geral, a sensibilidade dos testes é superior a 85% e a especificidade, superior a 94%. É importante ressaltar que a baixa sensibilidade destes testes aumenta a proporção de resultados falso-negativos, o que é particularmente preocupante entre os indivíduos assintomáticos.




A detecção de IgG em um teste sorológico indica que o paciente em questão está imune contra a COVID-19?


Mesmo que os anticorpos do tipo IgG sejam produzidos mais tardiamente, a interpretação isolada da presença deste anticorpo em um teste sorológico não assegura que o paciente não tenha mais infecção ativa e, mesmo que não a tenha, também não assegura que haja imunidade permanente contra o SARS-CoV-2. Além disso, pode se tratar se um resultado de IgG falso-positivo, com detecção de anticorpos contra outros tipos de coravírus que possam, porventura, ter infectado o paciente em questão.





Tratamento

Existe tratamento para eliminar o coronavírus?


Até o presente momento não. Os tratamentos que têm sido divulgados pela mídia ainda são experimentais e não temos evidências suficientes de que eles realmente funcionem. Além disso, o uso inapropriado de tais tratamentos pode causar efeitos deletérios ao doente e, por isso, não deve ser encorajado. O tratamento do coronavírus é, até o presente momento, suportivo. A grande maioria dos casos deverá ser tratada em seu próprio domicílio, com repouso, uso de medicações para a febre, hidratação e alimentação adequada.




O interferon é um tratamento contra o coronavírus?


Até o presente momento, não existe tratamento comprovadamente eficaz contra o coronavírus. Não existem evidências científicas suficientes que nos confirme que o interferon seja uma medicação eficaz neste contexto. Esta medicação ainda está sendo testada e não deve fazer parte do protocolo de rotina para o tratamento de pessoas infectadas. Além disso, esta medicação possui muitos efeitos que podem ser, inclusive, mais deletérios do que benéficos. Temos que aguardar os resultados de novos estudos, que já estão sendo realizados, para avaliarmos se esta medicação será incorporada ao tratamento destes doentes.




Os antirretrovirais são tratamentos eficazes contra o coronavírus?


Até o presente momento, não existe tratamento comprovadamente eficaz contra o coronavírus. Não existem evidências científicas suficientes que nos confirme que os antirretrovirais, que são medicações utilizadas no tratamento de pessoas infectadas pelo HIV, sejam eficazes contra o coronavírus. Estas medicações ainda estão sendo testadas e não devem fazer parte do protocolo de rotina para o tratamento de pessoas infectadas. Temos que aguardar os resultados de novos estudos, que já estão sendo realizados, para avaliarmos se estas medicações serão incorporadas ao tratamento destes doentes.




A cloroquina e a hidroxicloroquina são tratamentos eficazes contra o coronavírus?


Até o presente momento, não existe tratamento comprovadamente eficaz contra o coronavírus. Não existem evidências científicas suficientes que nos confirme que a cloroquina ou a hidroxicloroquina sejam medicações eficazes neste contexto. Estas medicações ainda estão sendo testadas e não devem fazer parte do protocolo de rotina para o tratamento de pessoas infectadas. Tais medicações possuem muitos efeitos que podem ser, inclusive, mais deletérios do que benéficos para estes pacientes. Temos que aguardar os resultados de novos estudos, que já estão sendo realizados, para avaliarmos se esta medicação será incorporada ao tratamento destes doentes. Além disso, estas medicações são indispensáveis ao tratamento de pessoas com lúpus e malária. Por isso, não devemos comprar essas medicações na farmácia com medo da infecção pelo coronavírus, pois podem faltar para os doentes que realmente precisam dela.




A vitamina D é um tratamento eficaz contra o coronavírus?


Até o presente momento, não existe tratamento comprovadamente eficaz contra o coronavírus. Não existem evidências científicas suficientes que nos confirme que a vitamina D seja uma medicação eficaz neste contexto.




Comer alho ajuda a evitar a infecção pelo coronavírus?


O alho apresenta propriedades antimicrobianas, porém não existem quaisquer evidências científicas de que este alimento possa evitar a infecção pelo coronavírus.




Uma pessoa que esteja com infecção suspeita ou confirmada por coronavírus pode usar ibuprofeno?


O ibuprofeno é um tipo de anti-inflamatório utilizado para alívio da febre e de dores. Houve uma recomendação inicial, por parte da OMS, de que as pessoas com infecção suspeita ou confirmada pelo coronavírus não fizessem uso de medicações que contivessem ibuprofeno em sua fórmula. Entretanto, em publicação mais recente, a OMS refez sua observação e disse o seguinte: “após uma rápida revisão da literatura, a OMS não está ciente dos dados clínicos ou de base populacional publicados sobre esse tópico (...) Não temos conhecimento de relatos de efeitos negativos do ibuprofeno, além dos efeitos colaterais conhecidos usuais que limitam seu uso em determinadas populações”. Apesar disso, o Ministério da Saúde do Brasil segue recomendando que outros remédios sejam priorizados no tratamento da doença. Em publicação em uma rede social em 19/03/2020, a pasta afirmou que, por precaução, recomenda a substituição do ibuprofeno por outros analgésicos.




Deve ser avaliada a modificação da prescrição anti-hipertensiva do meu paciente?


Um estudo científico publicado recentemente levantou a hipótese de que alguns medicamentos utilizados no tratamento da hipertensão, como os iECA (ex: captopril, enalapril) e os BRA (ex: losartana), estão associados a uma elevação da taxa de mortalidade pelo coronavírus. Entretanto, as evidências científicas a este respeito ainda são questionáveis e os pacientes em uso de tais medicações não devem suspender o seu uso, a não ser por orientação médica. A suspensão do uso destas medicações pode ser mais deletéria do que benéfica para a maioria dos pacientes.




A dexametasona é um tratamento eficaz contra o coronavírus?


Em 16/06/2020, a Universidade de Oxford divulgou os resultados preliminares do estudo randomizado RECOVERY (Randomised Evaluation of COVID-19 Therapy). Tais resultados demonstraram que a administração de dexametasona associou-se à redução da mortalidade apenas em pacientes com COVID-19 sob ventilação mecânica ou requerendo suporte de oxigênio. Nestes casos, ministrar 6 mg de dexametasona (por via oral ou endovenosa), 1x/dia por 10 dias, resultou em diminuição de mortalidade de 33,3% dos pacientes com COVID-19 sob ventilação mecânica e de 20% dos pacientes com suporte de oxigênio fora da Terapia Intensiva (em 28 dias). Mesmo para pacientes com essas características, a adoção dessa terapia deve ser discutida caso a caso enquanto esperamos a publicação dos resultados completos do estudo. Além disso, de acordo com os pesquisadores do RECOVERY, nos pacientes com COVID-19 que não necessitaram de oxigênio, não houve sinais de recuperação com o uso da medicação. A descoberta representa um avanço importante. No entanto, é preciso cautela. Por se tratar de uma medicação de baixo custo e fácil acesso, a informação divulgada pelos britânicos pode gerar uma “corrida” pela dexametasona e uso indiscriminado da medicação sem orientação médica. Tal cenário seria desastroso, pois os efeitos adversos da droga podem ser ainda mais perigosos do que a COVID-19, desencadeando outras doenças e agravando a sobrecarga nos hospitais. O uso de dexametasona pode estar associado a distúrbios hidroeletrolíticos, alterações músculoesqueléticas e gastrintestinais, reações dermatológicas, distúrbios psiquiátricos e danos nos sistemas endócrino, oftálmico, metabólico, imunológico, hematológico e cardiovascular.




Existe vacina para o SARS-CoV-2?


Até o presente momento não. Entretanto, vários laboratórios ao redor do mundo têm empenhado esforços para desenvolver, testar, produzir e distribuir a vacina. Não existem expectativas, em curto prazo (dias ou semanas), de que a vacina esteja liberada para uso pela população.




A vacina de gripe protege contra a COVID-19?


Não. A vacina anual para a gripe não possui qualquer efeito protetor contra o coronavírus. Entretanto, esta vacina possui efeito contra os principais vírus causadores da gripe e deve ser utilizada pelos grupos recomendados.




A ivermectina é um tratamento eficaz contra o coronavírus?


Até o presente momento, não existe tratamento comprovadamente eficaz para a COVID-19. Não existem evidências científicas suficientes que nos confirme que a ivermectina seja uma medicação eficaz neste contexto. Esta medicação ainda está sendo testada e não deve fazer parte do protocolo de rotina para o tratamento de pessoas infectadas. Além disso, esta medicação possui muitos efeitos que podem ser, inclusive, mais deletérios do que benéficos. Temos que aguardar os resultados de novos estudos, que já estão sendo realizados, para avaliarmos se esta medicação será incorporada ao tratamento destes doentes.




Quais são os possíveis efeitos colaterais associados à utilização da cloroquina e da hidroxicloroquina para a prevenção ou tratamento de pacientes com COVID-19?


As evidências científicas atuais indicam que tanto a cloroquina quanto a hidroxicloroquina não constituem tratamento eficaz ou seguro para pacientes com COVID-19, independentemente da fase da doença. Existem efeitos colaterais potencialmente graves associados ao uso de tais medicações, principalmente quando utilizadas em conjunto a outros fármacos, como a azitromicina. Os principias efeitos descritos são prolongamento do intervalo QT e arritmias ventriculares que podem, inclusive, levar ao óbito do paciente. O paciente que, porventura, estiver em uso de algum destes fármacos para o tratamento de COVID-19 deverá ser adequadamente monitorado, do ponto de vista cardiológico, pela equipe de saúde responsável.




Quais são os possíveis efeitos colaterais associados à utilização da ivermectina para a prevenção ou tratamento de pacientes com COVID-19?


Até o presente momento, não dispomos de evidências científicas que indiquem que a ivermectina seja eficaz ou segura para prevenção ou tratamento de pacientes com COVID-19. Os efeitos colaterais mais comuns associados aos uso de tal medicação são diarreia e náusea, astenia, dor abdominal, anorexia, constipação, vômitos, tontura, sonolência, vertigem, tremor, prurido, erupções cutâneas e urticária.





Autocuidado e bem-estar psicológico

Quais são os possíveis impactos da pandemia sobre a saúde psicológica dos profissionais de saúde?


A pandemia pelo coronavírus impôs novas demandas de organização da sociedade e fez emergir um cenário de incertezas, ansiedade, raiva, depressão, estresse, além de outras situações relacionadas à saúde mental de toda a população. Trabalhadores da área da saúde, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas podem ser grupos especialmente mais sensíveis, e necessitar de diferentes tipos de assistência, incluindo apoio psicossocial. Os profissionais de saúde enfrentam o desafio de, simultaneamente, lidarem com suas próprias questões emocionais e atenderem à população em sofrimento psicológico.




O que pode contribuir para o bem-estar geral e a saúde psicológica dos profissionais?


Os profissionais de saúde devem compreender que, como qualquer outra pessoa, também devem reservar algum tempo diário para seu próprio autocuidado. Por estarem na linha de frente, os profissionais podem se sentir sobrecarregados, desanimados, ansiosos. Também podem acreditar serem "heróis" que suportam (ou que têm que suportar) tudo. Lembre-se de que você é humano, cuide de você e do seu entorno. Faça pausas, tenha pessoas para conversar, busque apoio quando precisar. Um profissional mais estável emocionalmente é capaz de, inclusive, oferecer melhor cuidado aos seus pacientes. São recomendações gerais da Organização Mundial da Saúde (OMS) acerca do estresse relacionado à pandemia, aplicáveis a todos: É normal se sentir triste, estressado, confuso, assustado ou com raiva durante a crise. Conversar com quem você confia, pode ajudar. Mantenha contato com as pessoas em casa e com amigos e outros familiares por meios de comunicação a distância. Se você deve ficar em casa, procure criar uma rotina e manter um estilo de vida saudável, incluindo alimentação adequada, sono suficiente, exercícios físicos regulares. Não use cigarro, álcool ou outras drogas para lidar com suas emoções. Retome habilidades ou hábitos que você tinha no passado e que tenham ajudado a gerenciar adversidades de vida, como tocar um instrumento musical, meditar, cozinhar, cuidar de plantas, boas leituras. Use essas atividades como auxiliares no controle das suas emoções durante o desafiador tempo desse surto. Caso se sinta muito sobrecarregado emocionalmente, procure ajuda. Entenda os fatos e observe as regras de biossegurança vigentes para o momento e tome as precauções necessárias para evitar a contaminação. Procure acessar fontes oficiais e confiáveis, como a OMS, Ministério da Saúde, Secretaria de Saúde do seu estado ou município. Diminua o nível de estresse limitando o tempo gasto acessando notícias sobre a pandemia na mídia ou em redes sociais. Sempre que tiver dúvida sobre a veracidade de mensagens, cheque as fontes para não compartilhar fake news.




Mesmo profissionais não especialistas em saúde mental podem fornecer apoio psicológico à população?


Os profissionais não especialistas em saúde mental podem ter um papel preponderante como fonte de amparo e conforto para a população. Investir no seu próprio autocuidado físico e emocional é fundamental para que o profissional possa fazer a diferença para si e para os outros. A figura a seguir (IASC - Inter Agency Standing Committee) ilustra a recomendação de um sistema de suporte em saúde mental dividido em níveis de apoio, que são escalonados e em estrutura piramidal: a proposta é de que apenas uma minoria de casos necessite de atenção especializada.




Como lidar com a situação de profissionais que sofram discriminação por temores de contaminação?


É importante sempre seguir as normas de biossegurança e tentar explicá-las aos seus familiares. Porém, o medo pode gerar reações adversas e alguns agentes de saúde podem estar sendo evitados pela família ou outras pessoas próximas por estigmas e pelo medo de contaminação. Isso torna ainda mais desafiadora a situação que já enfrentam. Se ocorrer com você, procure colegas, supervisores e pessoas de sua confiança para receber apoio social. Talvez descubra que outros estão tendo experiências semelhantes às suas. Se possível, continue conectado com entes queridos, mesmo que virtualmente.




Que atitudes podem ser adotadas por profissionais no ambiente de trabalho durante a pandemia para reduzir o nível de estresse individual?


O trabalho em dupla, quando possível, é sempre recomendável. A dupla ficará atenta ao colega não só em relação aos procedimentos técnicos, mas principalmente do ponto de vista pessoal e emocional: avaliará, por exemplo, se o colega fez uma pausa, se alimentou, se hidratou. Os parceiros não precisam ser fixos, mas deve-se pactuar uma parceria em cada plantão. Ao longo do enfrentamento à pandemia, será comum o profissional ser chamado a executar procedimentos fora do seu repertório habitual. Pode ser útil reler e reestudar a teoria, seguir um colega mais experiente, observar, treinar quando possível. E, muito importante, pedir e aceitar ajuda. Em momentos de crise, muitas vezes, as equipes são escaladas no momento e não estão acostumadas a trabalhar juntas. Mesmo assim, costuma haver coesão pelo objetivo em comum de oferecer o melhor cuidado possível aos pacientes. Cultive a confiança no poder do seu grupo. Não tente anestesiar suas emoções, porque isso é impossível. Busque oportunidades para desabafar. Se não for possível com um profissional, converse com um colega, com uma pessoa de casa. É importante falar. Vão existir momentos de calmaria. Aceite-os aproveitando para respirar e cuidar de você e do seu parceiro durante esse período do seu trabalho ou plantão. Use esse tempo para ler, descansar, espairecer, desabafar, rezar. Aceite o “olho do furacão”. Manter o senso de humor é importante. Piadas e as brincadeiras costumam ser boas válvulas de escape em situações de estresse. Mas esteja atento aos momentos adequados para usar o humor - nem todos estarão receptivos o tempo todo. Comente sobre os sucessos, mesmo que pequenos; pontue os momentos do plantão ou da sua jornada de trabalho em que as coisas deram certo. Elogie os colegas, permita-se receber elogios, use essa energia positiva para movê-lo no dia a dia. Informe-se sobre os recursos disponíveis para cuidado e apoio psicológico aos profissionais de saúde com COVID-19. O estigma associado à doença pode causar mais estresse e adoecimento.




Que ações são recomendáveis para gestores, líderes de equipes e supervisores dos serviços de saúde durante a pandemia?


Manter a equipe atualizada com informações fidedignas e de qualidade. Fazer rotações entre áreas mais e menos estressantes. Misturar trabalhadores mais experientes com menos experientes. Incentivar a possibilidade de trabalho em dupla para aqueles que visitam a população. Encorajar e monitorar as pausas no trabalho. Assegurar escalas flexíveis especialmente para aqueles que têm membros da família impactados por doenças ou traumas. Buscar manter a equipe protegida do estresse crônico para o melhor desempenho do trabalho de assistência. Orientar a todos que a situação atual não passará abruptamente e que o foco deve estar na resposta de médio a longo prazo. Sempre que possível, disponibilizar algum ambiente agradável e relaxante em que os profissionais possam descansar, ver a natureza, ouvir música suave. Ou também um espaço em que aqueles que professam crenças religiosas possam parar para orar, meditar ou ler. Viabilizar o acesso e certificar-se de que os funcionários possam utilizar os serviços de apoio psicossocial e mental. Orientar e treinar equipes de emergência e clínica geral a incluírem no cuidado a abordagem da saúde mental dos pacientes, observando situações como delirium, psicose, ansiedade grave e depressão. Atentar para o fornecimento de medicamentos em todos os níveis de cuidado.




O que pode contribuir para o sucesso de ações relacionadas à saúde mental e apoio psicossocial durante a pandemia?


É importante fortalecer as ações em resposta à pandemia, bem como a coordenação dessas ações, mapear e aprimorar os serviços existentes e fortalecer os ambientes de proteção. São atividades recomendadas: - Levantar questões, necessidades e recursos disponíveis localmente. - Coordenar intersetorialmente os serviços, ações e atores relevantes no processo de apoio psicossocial na pandemia. - Estabelecer estratégia de apoio e assistência a diferentes grupos envolvidos no sistema, como pacientes, familiares, grupos de risco, profissionais de saúde, líderes e pessoas em isolamento. - Garantir informações relacionadas à COVID-19 que sejam precisas, disponíveis e acessíveis. - Incluir treinamento de apoio em primeiros cuidados psicológicos para profissionais de saúde em geral. - Garantir sistema funcional de encaminhamento, referência e contrarreferência para pessoas em sofrimento mental. Enfatizar a importância de todos os envolvidos nos serviços de saúde conhecerem estes fluxos. - Oferecer apoio psicossocial aos profissionais de saúde. - Facilitar medidas que reduzam o impacto negativo do isolamento por meio de comunicação alternativa utilizando tecnologia. - Monitorar, avaliar e gerar aprendizado de todo o processo vivenciado. Está disponível de maio a setembro de 2020 um serviço de suporte psicológico para os profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate à COVID-19 em todo o país. O projeto TelePSI, desenvolvido pelo Ministério da Saúde e Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), presta serviços de teleconsulta psicológica por meio de uma central de atendimento que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, pelo 0800 644 6543 (opção 4). A primeira ligação é para cadastro e avaliação.





Centro de Telessaúde HC-UFMG

www.telessaude.hc.ufmg.br

+ 55 31 3307-9201